quinta-feira, setembro 07, 2006

Os Tristes-Vidas

Desde que a friaca se abateu (fora de época, como virou costume) sobre o Rio de Janeiro que tem sobre mim se abatido uma pena maior ainda daqueles tristes-vidas que ficam no meio da rua segurando um cartaz de propaganda política.
Não vou falar sobre política, há muito me abstraí deste tema.
Mas é que fico a pensar se os políticos imaginam que esta forma de exploração humana contribui para angariar-lhes votos. É muito atraso.
Ficam eles (os tristes-vidas) segurando aquelas cartazes, às vezes em pé, com uma cara de infelicidade mortal, índice zero de militância; outras vezes sentados, o olhar perdido, o tédio estampado.
Dia desses, na Av. Atlântica, me esbaldei: o cartaz de propaganda estava abandonado e, a dez metros dele, o triste-vida que deveria segurá-lo jogava cartas entusiasmadamente com outro triste-vida, o cartaz também no chão. Pensei: "bem feito!".
Afinal, um triste-vida tem direito a um momento de descontração.
Já esses candidatos... bem, deixa para lá.

2 comentários:

fernando cals disse...

Pois é, Denise,
outro dia mesmo, aqui em Petrópolis, passei por uma dessas mulheres-sanduiche, a maior foto do candidato nos dois lados e a triste-vida, alegremente, como se não fosse uma TV, cantava o jingle do sujeito cheia de vontade.
Lembrei logo daquele bordão da ex-mulher do Carlos Lyra, a Kate, que dizia que "brasileiro é bonzinho..."
Tem de tudo!
Beijos
fernando cals

Frederico disse...

hoje, passando veloz, observei alguns triste-vidas no Aterro, ali na calçadinha entre as pistas, ainda na enseada de botafogo. Quanto ganham para ficar ali todo o dia? 10? mas, no final das contas, devem achar bom. 10 é melhor que zero (embora praticamente a mesma coisa)