quarta-feira, junho 28, 2006

dúvida


veja, meu amor
chove e faz sol
e este arco-íris prova:
também a natureza
(às vezes)
é contraditória



(d'aprés o post do Frederico ontem, 27 de junho, porque arco-íris me intriga )

terça-feira, junho 27, 2006

errata

sorry, sweeties, mas ouso dizer que a frase está errada: "all you need is to love" no lugar de "all you need is love". Sim, porque se do amor se quer ser objeto, é preciso, antes, ser sujeito.

segunda-feira, junho 26, 2006

O Caso das Tetas Cabeludas

Uma das coisas mais hilárias das quais se teve notícia. Difícil de acreditar, mas o caso é loucamente verdadeiro, só para me contradizer da verdade universal que vivo professando como um mantra: "certo tipo de coisa só acontece comigo".
Conto amanhã, depois do jogo, ou depois. Conto uma dia. E, embora ache que não vai ter a mesma graça do que a história contada pelo próprio protagonista, como me fez ele hoje com muita verve e blague, quase me asfixiando de tanto rir ao final, juro que vou tentar ser fidedigna aos fatos - e apenas a eles.
Enfim, vou ten-tar.

tempo

"Tenho um acordo com o tempo: nem ele me persegue, nem eu fujo dele. Um dia a gente se encontra no meio do caminho." (trecho da peça "Ai, que saudades do Lago", de Marcos França, em cartaz no Teatro Glória até 30 de julho)

quarta-feira, junho 21, 2006

terça-feira, junho 20, 2006

Complexo de Prima Donna


É o seguinte: é aquela que jamais contracena com alguém. Não divide o palco. Se fosse atriz, só faria monólogos, se fosse cantora, seria clássica - e soprano. Só dá ela, ela, ela. Importante não confundir prima donna (e seu complexo) com a prima da Madonna (e seu complexo, que explico depois).

segunda-feira, junho 19, 2006

um caso de literatura médica...



... é a memória da Roberta! Salve, garota!

O Reencontro

(é melhor ser alegre que ser triste, alegria é a melhor coisa que existe, é assim como a luz no coração - V. de Moraes)

Havia uma lua absurda. Nem precisava, pois a magia se instalara um pouco antes, quando o FIG decretara que seria naquele exato dia, 14 de junho de 2006, às 20:00 horas, o reencontro da Turma do Isa de 1976. Mas o fato é que lá estava ela, imensa, linda, absurda e majestosa, cobrindo de prata o Arpoador, lugar escolhido por nós precisamente porque, tanto tempo antes, era o nosso lugar.
Trinta anos. Não é exatamente um hiato qualquer, um tempo ao qual se relegue pouca importância, algo que possa ficar quieto no desvão de algum esquecimento. Não. Trinta anos é uma vida, é tempo suficiente para se construir e se destruir e se reconstruir tantas vidas quantas se queiram.
Pois havia a lua e o tempo passado e a iniciativa de um, adensada por outros, encampada por muitos, de estarmos ali, naquele dia, naquele lugar, fosse com algum esforço, ou nenhum, com algum desvario, ou total lucidez, mas de estarmos juntos. E lá estávamos nós, devidamente reconciliados com nossas biografias, trazendo nas mãos e nos corações as lembranças e os esquecimentos que o tempo, mestre dos mestres, invariavelmente oferta.
Foi um presente. Foi alegre, foi puro carinho, foi o mais puro dos afetos, um desses momentos pelos quais a vida vale a pena, que lhe dão um contorno de arte, que nos projeta para a grandeza que sempre existe, embora tantas vezes acabe soterrada pelo turbilhão do cotidiano.
E foi revelador. Sim, revelador. É que, não tendo ido à nossa formatura, a diretora da escola acabou por nos deixar um legado que não existiria se tivesse comparecido àquela formalidade, como lhe convinha, aliás. Para quem não acredita em destino, aí está uma boa razão para se acreditar em ironia do destino.
Deixou-nos ela uma carta aos cuidados da Flávia, que luxuosa e secretamente a guardou por estes anos todos, e ali, lida por Betinha, foi por nós escutada e sorvida com solene silêncio, o único daquela noite de risos e algaravia.
Disse-nos do prazer que a convivência conosco lhe causara naqueles anos todos, do grande desafio que era formar pessoas, e, sobretudo, do imenso amor que envolve a educação de crianças e adolescentes. Falou, reiteradas vezes, do amor. Do amor. Sempre ele, o amor.
No mais, foi alegria, a melhor coisa que existe. Quem mudou, quem está igual, quem faz o quê, por onde andou, quem faltou, quem não se achou, quem se perdeu, quem fez falta, quando vai ser o próximo. Enfim, parodiando o Poeta lá de cima, que sei que me dá licença, se a vida é a arte do encontro, é também - e mais ainda - a arte do reencontro.
Valeu, Turma do Isa!

terça-feira, junho 13, 2006

Santo Antonio de Padua e de Lisboa


Viva Santo Antonio, que me entende em português, viva o Santo que une os corações, viva o dispensador de mercês!

segunda-feira, junho 12, 2006

Mulata Assanhada

Recebo uma mensagem bastante bizarra, a começar pelo endereço eletrônico da remetente – assanhadamulata arroba alguma coisa.
Diz-me que por acaso encontrou o meu blog, que adorou o título, que se identificou loucamente com o texto “Gainsbarre” porque tem situação parecida com Roberto Carlos, que (ainda) não se casou com ela porque (ainda) não a conheceu, mas que o tempo se encarregará de resolver este pequeno descaminho; fala que gostou de “Volta”, deteve-se em “C’est la Vie” e, curiosamente, reconhece não ter vergonha de se dizer assanhada, porque herança de família e tradição não se desconsidera. Sua mãe, a mais assanhada de todo o matriarcado, teve três filhas com três homens diferentes, todas lindas, todas mulatas, ainda que com variações de cor. Ela diz ser mel-queimado, sua irmã do meio mais feijão, a mais velha a mais clara. Todas black power, todas com cintura fina, belas pernas e bunda generosa.
Ah, a bunda. Um capítulo à parte. Tece loas à sua própria em duas linhas de puro escárnio, diz que lhe prometem mundos e fundos se... Bem, não importa. Não se envergonha desta sua parte copiosa e diz que a curva de sua cintura é algo escultural. Não, a modéstia não lhe socorre neste particular.
Mas lhe socorre em outro, pois, a despeito de pouco estudo - confessa não haver completado o segundo grau -, tem um texto perfeito, sequer um erro de português. Elabora, explica, conclui, muda o período, tem ritmo, tem bossa. “Assanhada” leva jeito para as letras.
Diz que apenas agora começa a se dar conta disso e que o descobriu depois que o pai de sua irmã mais velha lhes deu um computador, posteriormente acessado à Internet por presente do pai de sua outra irmã, a do meio. Como está desempregada, andou navegando nas tardes vadias e disse que, para pasmo seu, para sua surpresa incontida, percebeu que tem “isso de conteúdo” e que não viu muitas coisas bem escritas em blogs e afins. “Vi muita abobrinha”, diz, “muita sacanagem”.
Quer minha ajuda, mas como posso ajudá-la? Sugeri que faça um blog e que nele escreva o que lhe vem à cabeça, como sói em blogs. Sugeri um título, expliquei que não é difícil e que certamente terá bastante diversão.
Respondeu-me Mulata Assanhada hoje, lacônica: “preguiça...”

um fim de semana e dois filmes

A vantagem de ser filmes em DVD, após seus lançamentos nos cinemas com toda a espuma que em geral provocam, é ter este distanciamento que serve para se livrar da impregnação que críticas e boca-a-boca costumam causar. Passado o tempo, tem-se um ponto de observação sobre a obra, guarda-se a impressão pessoal que o turbilhão midiático e as opiniões dos amigos costumam confundir e sugestionar. Quer dizer, que costumam me confundir e me sugestionar.
O fato é que vi dois filmes que há muito queria ver, sendo que um deles ainda está em cartaz nos cinemas: “Brokeback Mountain” e “Match Point”. Gostei muito dos dois, não saberia dizer se mais de um do que do outro, mas o curioso é que ambos falam - um de forma mais sutil, o outro de forma bastante aberta, já que se trata exatamente de sua mensagem principal - de coisas que me ocorrem pensar com certa freqüência.
“Brokeback” diz que não se programa paixão, amor, amizade. Não são coisas programáveis, escapam ao controle, simplesmente acontecem. Uma vez apresentados os personagens, parece que seria bastante improvável que eles se apaixonassem e que tivessem um caso. Mas se apaixonam, se amam mesmo, e por anos mantêm-se fiel a este sentimento. Como os apaixonados, não escondem a felicidade ao se verem e o sofrimento a cada separação. É o imponderável lembrando que o acaso é de tal importância na vida que tentar estar no controle das coisas é perda de tempo. A vida acontece quando se está ocupado fazendo outra coisa, já dizia John Lennon. Pura, pura verdade.
Fora isso, o filme é plasticamente bonito, a trilha sonora é muito boa, os artistas estão ótimos – um, que interpreta o personagem Ennis Del Mar, contido; outro, Jack Twist, o sedutor, um sexy discreto – e as cenas românticas são muito bem conduzidas. Nada me chocou neste filme, gostei de tudo o que vi.
Já “Match Point”... ah, é um Woody Allen e, como qualquer Woody Allen, me causou aquela impressão cinematográfica que ficará em mim por uns dias. Ele é perfeito, o adoro. Este filme, ainda por cima, tem a sofisticação de haver sido rodado em Londres com atores britânicos, salvo Scarlett Johansonn, a sexy nada discreta. “Match Point” responde a inevitável pergunta “sorte ou talento” (a pergunta está na moda) sem rodeios: sorte, claro, que talento todo mundo tem, porque, com algum talento, com algum dom, todo mundo nasce (Deus é generoso e, afinal, é preciso "de um tudo para se fazer um mundo"). Ora, isso é tão óbvio, porque se perde tanto tempo em elucubrações psicodélicas e existencialistas sobre este assunto? Nunca entendi.
De mais a mais, o filme tem o vigor do mestre naquelas intrincadas tramas pessoais que recorrentemente elabora, aquelas paixões complicadas, natimortas, cansativas. Simplesmente genial.
Às vezes acredito firmemente que enquanto existirem cineastas bons e roteiristas competentes o mundo estará a salvo da mesmice.
Já a pipoca e o celular do vizinho tocando indômito, sinceramente, eu dispenso: eu preciso do silêncio.