sexta-feira, setembro 08, 2006

carta para uma tragédia

Sinto profundamente sua perda. A morte de um jovem é sempre algo trágico, fere a ordem natural das coisas, e faz com que se transpasse à categoria das pessoas que viveram uma desgraça. Porque só há duas categorias de pessoas nesta vasta humanidade: as que vivenciaram uma tragédia e as que não a vivenciaram, sendo que estas não fazem idéia do imenso esforço que é preciso para seguir vivendo com tanto pesar. Não é mesmo suposto que o saibam, não as culpo.
Tragédias não se comparam. Tragédias, não perdas naturais. E as nossas não são diferentes, são mesmo incomparáveis. Porém agora, com o coração forjado pela perda, pela perda trágica, talvez agora vc perceba a tristeza que nós vivemos quando a Bel partiu precocemente, depois de mais de ano de um tremendo sofrimento físico. Ela trabalhou contigo por um bom ano antes de adoecer, lembra-se? Por um ano vocês conviveram, ela colaborou com seu ganha-pão. Sua doença e morte, contudo, não ensejaram sequer uma manifestação de sua parte, foi como se nada se passasse.
Tenho muita compaixão da mãe deste rapaz, de seu pai, de seu padastro, de seus irmãos, de seus amigos e de vcs, familiares. Nunca mais a vida será a mesma. Mas Deus é grande, incomensurável a Sua bondade, e, certamente, receberão todos o afeto e o carinho de pessoas bondosas e compassivas.
Receba vc meus sinceros sentimentos. Eu realmente sinto muito.

3 comentários:

roberta disse...

Foi uma comoção carioca,mas deveria ser uma comoção MUNDIAL,pq cada vidinha que ali estava era a imagem (tão bem descrita pelo pai de Ana Clara) de um bebe que nascia na maternidade e era carregado com todo amor e carinho pelos pais perplexos pela infinita e indescritível sensação de fragilidade que esta' embutida numa vida.
E esse sentimento e' universal.
Também sinto muito...por todos aqueles que se foram e todos os que ficaram e que terão a triste missão de achar maneiras e motivos para continuarem respirando....apesar de tudo.

Flor disse...

Tragédias não são apenas a perda precoce daqueles que amamos.

Compreender a dor, é se fazer presente, mesmo sem nada dizer...

Denise Sollami disse...

Flor, é verdade, mas nem todo o mundo tem esta sensibilidade.