quinta-feira, fevereiro 22, 2007

o carnaval é o povo

Não que eu seja elitista. Não que eu não goste da diversidade. Não que eu seja a tal ponto exclusivista que não possa dividir um canto da areia da “minha” Ipanema com outras pessoas. Mas o que vi neste carnaval em termos de freqüência foi praticamente uma visão do inferno. O Congo é aqui e não me lembro de ter feito reserva na Air-Congo para este carnaval.
Jamais, em tempo algum, vi tanta gente feia, nunca vi tanta gente gorda. Mentira dizer-se que este é um país de famélicos – este é um país de gordos. Ou, então, mais este paradoxo: um país de famintos gordos. Famintos gordos que, aliás, passam o tempo todo a mastigar.
E que gordura feia. Deparei-me com os mais variados tipos de bundas e barrigas e coxas e peitos. E braços e costas e... Diante de tal quantidade e feiúra, algumas perguntas me ocorreram.
Por que tantas varizes? Eu não tenho varizes, minhas amigas não têm varizes, e a esta altura já poderíamos tê-las. Tampouco as tem minha mãe e a mãe de minha mãe também nunca se queixou desta mazela. Alguma informação genética? Alguma outra predisposição?
E por que brotoejas pretas na bunda? Fiquei especialmente intrigada com a possível causa das tais brotoejas, copiosas em alguns casos. Será algum tipo de dermatite de contato advinda do fio sintético usado na confecção de peças íntimas de baixa qualidade? O fato é que nunca, jamais, alguém de minhas relações apareceu à praia com a bunda toda coroada de brotoejas, o que me leva a supor que nunca tiveram brotoejas. Brotoejas pretas, bem entendido. Pontos de negror gritante.
Além de brotoejas e varizes, a gordura. Um verdadeiro carnaval (desculpe o trocadilho) de barrigas dos mais inusitados feitios. Pequenas mas flácidas, grandes mas duras, caídas de um lado, com várias dobras, em alguns casos mais dramáticos um verdadeiro simulacro de gravidez. Sim, pareciam mulheres grávidas de gestações múltiplas. Barrigas abusadas, destas a começar nas costas e a se expandir para além do espaço que poderiam, já com bastante generosidade, ocupar.
Bundas. Céus, as bundas. Aqui eu poderia poupar minha meia dúzia de dois ou três leitores, mas não resisto, tenho que falar. Porque não eram bundas de pessoas físicas, eram bundas de pessoas jurídicas. Bundas sociedades anônimas de capital aberto, com ações negociadas na bolsa de valores. Bundas commodities. Bundas safras recordes. Nunca vi nada parecido.
Fiquei estupefata e que não se venha com o argumento que tem o lado bom, porque diante deste quadro qualquer uma se acharia ótima etc e tal. Assim não vale.
Não que eu seja elitista.

13 comentários:

Ramon disse...

Ah, eu discordo. Eu gosto quando as GORDAS invadem a praia carioca. Encaro como uma espécie de resistência ao padrão "garota de Ipanema". Não gosto muito de gordura, esse comentário não é uma apologia aos quilos extras... Mas VIVA!!! ao TERRORISMO POÉTICO das gordinhas!

Ramones

Ricardo Rayol disse...

Fez uma bela análise do verdadeiro mercado de carne que é o carnaval. Depois querem combater o turismo sexual.. como?

Denise Sollami disse...

Ricardo, se alguém quiser algum tipo de sexo com aquelas que vi pode se considerar um verdadeiro campeão, um atleta de alta estirpe!
Em todo o caso, turismo sexual é o fim da picada mesmo e aqui no Rio é o que mais há.

Rogério de Moraes disse...

humm... tem certeza que este não é um post elitista? Ia escrever mais, mas preferi ficar na cordialidade. Abraços.

valter ferraz disse...

Denise, vc conhece Mongaguá? Não?pois descreveu direitinho onde eu moro. A praia aqui parece as ruas americanas. Gordos e gordas de todos os quilates. Também sou gordo(para a minha pouca estatura) mas não fico desfilando meu excesso de peso por aqui. Quando vou à praia por incrível que pareça sinto-me magro perto do que vejo.
Acho que a mulher hoje anda se descuidando, alimentação descontrolada. Minha esposa tem 52 anos, teve quatro filhos(duas cezarianas). Não tem estrias, nem celulite e muito menos brotoejas pretas. Academia? Não, tanque de roupas, vassoura, etc.
Abraço

Adelino disse...

DENISE, você acabou com o mito "Garota de Ipanema"... Se um turista estrangeiro ler o seu post, a praia vai ficar às moscas no próximo Carnaval...
Abraços

crissmyass disse...

Afinal... no Congo o pessoal é gordo? Ou só preto?
E se o pessoal é preto, como se podem avistar as tais brotoejas pretas?
____________

No trecho de programa do Luciano Huck que casualmente vi este sábado, tipo "mundo cão", tinha uma mulher que vivia com 600 reais por mês para sustentar marido desempregado, 1 filho idem, 2 filhas, sendo que uma ganhava salário mínimo e a outra de 14 anos tinha 2 filhos, mais o genro desempregado que, ao "assumir" a paternidade da 1a. criança acabou se tornando mais uma boca para alimentar e aproveitou para fazer mais um neném na filha menor... enfim esta próspera família disse que um dia, na falta de dinheiro para comprar o leite dos bebês, compraram refrigerante para pôr na mamadeira.
Talvez isso explique.

Denise Sollami disse...

Cris, acho que não explica não, porque as crianças que vi não eram obesas e nem passaram o tempo todo a mastigar.
O problema são os adultos, que, ao que parece, nasceram para comer, comer, comer.
Eu fiquei muito impressionada, porque jamais vira algo parecido.

Denise Sollami disse...

Em tempo: indagado, meu dermatologista disse que as tais brotoejas são foliculite. Mas que tem tratamento. Menos mal.

Denise Sollami disse...

Aviso aos navegantes: o boteco é meu, publico o que eu quiser, exclusive opiniões hostis de pessoas que não conheço; aliás, é bem por isso que o "moderador de comentários foi ativado". Ainda se fosse alguém que conhecesse, como a Cris.
Outra coisa: pq não comentam os outros textos? Os poemas? Ah, me poupem!

fernando cals disse...

Oi, Denise,
essa é uma das grandes balelas nacionais, a de que temos um povo lindo. Claro, se pararmos nos points da juventude dourada,pode ser. Mas, no dia-a-dia, o que se vê de gente feia, vale o futebol, por exemplo, é de amargar.
Lembro-me do susto que levei, tarde de sábado, na rodoviária do Tiête, esperando minha filha, dei uma circulada, perto de onde chegavam os onibus vindos do Nordeste...que gente feia!
E não é preconceito de sulista contra nordestinos, pois minha familia, quase verticalmente, é toda do Ceará. Acho que salvou-nos o francês, o Cals, pelo lado paterno e um alemão, bisavô, pelo lado materno, pra temperar as coisas.
De acordo, Denise, é muita feiura. As brotoejas, então!!!
bjs
fernando cals

Denise Sollami disse...

pois é, Fernando, mas neguinho fica indignado, dizem que é preconceito, que é elitismo, quando, na verdade, nada mais é do que constatação do óbvio.
é que não se pode dizer, não é mesmo?

Frederico disse...

Da minha parte, não é "puxação de saco" não (embora pudesse ser) já que simpatizo muito "pela sua pessoa" (ah, essas expressões). Mas, enfim, digo: você tem razão e, mais, uma óbvia razão. // Ando totalmente fora do tempo. Comento coisas passadas. Mas, ah, não escrevo para o mundo. Escrevo para Sollami. ;-}