segunda-feira, agosto 10, 2009

sem 'complexo de entidade'

Sempre adorei Caetano Veloso. O poeta, o músico, o compositor, o homem. Sempre gostei, mesmo quando não era moda gostar, tempo em que era visto como um chato opiniático. Adorei "Coração Vagabundo", documentário em cartaz rodado ao tempo de duas turnês internacionais. Está lá o artista e o homem por inteiro, a pessoa desnuda, despojada. Simples. Tão simples que tem aversão a que o tratem como se fosse uma entidade, um ser que sobrepaira a torpe humanidade. Declara odiar este tratamento, não compreende quem se auto-confere uma coisa igual. É a anticelebridade pop, e é justamente esse avesso do avesso do avesso que me fascina em particular. Tem humor, muito humor, ri de si mesmo, de sua condição. E tem coragem, porque há um momento em que se diz triste e vulnerável com sua vida íntima, mas não declara o porquê - fala que uma coisa dessas não se revela. O melhor mesmo foi perceber que a letra da música que dá título ao filme diz "meu coração não se cansa de ter esperança de um dia ser tudo o que quer". Aí está alguém com a ousadia de afirmar que seu sonho de consumo é existencial, algo que também eu digo, mas que digo com pudor, porque é raro alguém compreender. Um refrigério, esse Caetano Veloso.

4 comentários:

Tiago Cruz disse...

Denise,
acho que Caetano, Chico, Gil, Tom e Vinícius - em ordem alfabética - são as maiores expressões da nossa(minha?) época de juventude. Só que, o tempo, a vaidade, e outras cruéis circunstâncias, transformaram o Caetano e o Gil em tristes caricaturas de si mesmos. Mas esse sentimento em nada altera meu profundo respeito, curtição e admiração pela obra deles.
Concorda? Tomara que não... rsrs
Abs,
Tiago.

Denise S. disse...

Tiago, compreendo esta tua percepção. Mas vá assistir ao filme e dê o benefício da dúvida: é capaz de vc mudar de ideia.
bjs

anasimplesassim disse...

Linda frase mesmo: "meu coração não se cansa de ter esperança de um dia ser tudo o que quer".
Concordo com voce neste sonho de consumo existencial, também sinto isso, embora não saiba bem até que ponto... E sei que, além de fora de moda, é raro alguém - e até mesmo a gente - compreender. Bjs!

Denise S. disse...

Ana, entendemos e não entendemos, não é mesmo?