domingo, maio 06, 2007

Dommage... (ou Vive la France!)


Torci vivamente por Ségolène Royal nestas eleições, não apenas porque sempre torço pelos socialistas na França, e faz três eleições que nada levam, mas porque seus adversários são cada vez mais seres rancorosos, como me parece ser Sarkozy. Não faz muito tempo e Le Pen foi alçado ao segundo turno em 2002, quando Jacques Chirac, impressionado, teve que rebolar e conclamar o povo a ir às urnas. Sim, os franceses, embora politizados, andavam blasés em relação a política, talvez solapados por tantos impostos e sem uma única janela aberta para um porvir mais promissor.
Agora, porém, não foi necessário: o povo acorreu maciçamente às urnas e, embora alguns veículos da mídia francesa falem em vitória acachapante de Sarkozy, o próprio iniciou seu discurso, logo após declarado vencedor, com loas à sua adversária e àqueles que nela votaram. Ele, que não é bobo nem nada, sabe que democracia não é ditadura da maioria, e sabe também que não são desprezíveis, em número ou qualidade, os votos angariados por sua adversária.
Acho realmente uma pena que a candidata dos socialistas não tenha ganho, uma pena que os socialistas não tenham conseguido sair do imobilismo em que imergiram diante das novas necessidades da sociedade francesa, ou que não tenham sabido comunicar a alternativa que acreditaram, à última hora, possível.
Uma pena.
Não, contudo, ver a sociedade francesa novamente mobilizada, os ideais e valores da república agitados com tanto fervor, o amor que nessas horas é declarado à França por seus compatriotas. É interessante ver um jornalista iniciar uma entrevista com o presidente da república por “boa noite, fulano de tal”, dispensando tratamentos formais, ou de que valeria o conceiro republicano de igualdade?
E é emocionante ver o discurso da candidata derrotada, com uma cara nada derrotada, aos seus militantes, terminar em “vive la France”, tal qual termina o discurso do candidato vencedor; o hino francês, ao fundo, cantado a capela pelos militantes.
Só me resta fazer coro: "vive la France!".


(foto capturada do site www.lemonde.fr)

6 comentários:

strix disse...

Perdemos?
Strix.

Denise Sollami disse...

Strix, acho que sim, mas c'est la vie.

Ricardo Rayol disse...

&¨%#$@# de coments do blogger, é a terceira vez que tento comentar, katzu dos infernos.

Em resumo, baita texto. A esuqreda brasileira bem que podia aprender que democracia é coalizão e não ranço e picuinhas. E Royal-Rayol ehehehehehe

Frederico disse...

Nada contra o seu Jorge; ou melhor o são Jorge; ainda melhor, o seu são Jorge. Mas não agüentava mais entrar aqui e nada ver de mudança. Comento na próxima aparição a questão francesa embora, vc saiba, pouco se me deu em relação a tal certame. // Mas vc viu (é pergunta retórica; vi lá no finalzinho dum post que vc bem viu) o blog do Arnaldo? nem escrevi; para quê? muita balbúria; que gente mais chorona... :-)

Frederico disse...

Após a atenta leitura de seu texto me parece que a chave para a derrota (derrota "de pé", mas derrota, enfim) está justamente em "uma pena que os socialistas não tenham conseguido sair do imobilismo em que imergiram diante das novas necessidades da sociedade francesa". Derrotados costumam procurar motivos fora de si, alheios à sua vontade, para justificar a segunda posição. E não resisto (eu me entrego fácil, talvez já tenha notado) a fazer a analogia: lembro aqui dos botafoguenses, elucubrando mil e um motivos para seu infortúnio. Perdeu porque foi menos eficiente. Simples, simples. Aqui como lá.

Denise Sollami disse...

Frederico, não admira sua analogia: derrotados são derrotados, embora pelos alvi-negros não tenha eu torcido, bem ao contrário.

Ricardo, quem sabe vc não é o nosso "Royal"? Talvez vc devesse pensar em entrar para a política, certamente a exerceria bem, com ética. Estamos precisando.