sábado, março 17, 2007

sobre a hipocrisia

característica do que é hipócrita; falsidade, dissimulação. Ex.: com a h. que lhe é peculiar, pôs-se a adular a sogra
2 ato ou efeito de fingir, de dissimular os verdadeiros sentimentos, intenções; fingimento, falsidade. Ex.: ela veio com a habitual h., mas não me enganou
3 caráter daquilo que carece de sinceridade. Ex.: a h. das palavras
Dicionário Houaiss

O Presidente da República andou falando a respeito, reclamando como de costume de seus pares políticos, outro dia ouvi um comentário sobre a necessidade da hipocrisia na vida social, sobre as múltiplas mentiras que se contam todos os dias (por volta de 60 diariamente, não pensei que falássemos tantas); enfim, o assunto, vira e mexe, vem à tona.
Talvez porque toda pessoa traga em si uma bela dose de hipocrisia.
O que chama a atenção é que ninguém admite tê-la, provavelmente o mesmo fenômeno que ocorre com a inveja, da qual todos se dizem objeto, jamais sujeito.
Não fosse a hipocrisia, porém, certas profissões ficariam altamente prejudicadas, ou mesmo seu exercício restasse totalmente impossibilitado (diplomatas, políticos, advogados, marqueteiros, publicitários, poetas, escritores, donas de casa, socialaites); talvez sem ela fosse o mundo mais beligerante do que já é.
Não faço a apologia da hipocrisia, claro que não. Confesso-me hipócrita, o que é bem diferente. Sim, é verdade, mas não sou hipócrita o tempo todo; aliás, o sou bem raramente. Em tempos mais iludidos, sofri mesmo as conseqüências de um certo excesso de sinceridade, mas isto não vem ao caso. Vivi, aprendi, não necessariamente evoluí. E confesso mais outra imperfeição: a de estar abaixo da média nesse quesito. Seja como for, é no ponto inverso que mora o perigo, é a livre manifestação do pensamento que move alguém de sua zona de conforto para a linha de tiro. Da sala de visita para o front.
Porque ninguém tem preconceito, não é mesmo? Oh, claro que não! Vá você expressar algum para receber, incontinenti, a enxurrada de censura dos politicamente corretos, os que, a exemplo dos invejosos, jamais comungam desta torpeza. Vá você confessar seu desconforto com alguma minoria, hoje alçada à condição de casta sacrossanta e intocável, e receba - de imediato - sua sentença à la carte: ser empalado vivo ou crucificado no hall dos elevadores, como queira.
É a vida. Seja a dos hipócritas militantes e declarados (raros), seja a dos confessadamente e por vezes hipócritas, seja a daqueles seres virtuosos que, ao se incomodarem com a sinceridade alheia e não perceberem que só se vê no outro o que se é, são duplamente hipócritas.

Mas sobre isso, evidente, não se fala.

7 comentários:

strix disse...

Só prá dizer que estive aquí e lí.
Sem comentários.
Strix.

Adelino disse...

Denise, gostei do texto. O assunto é interessante. Só não comentei antes porque o meu "comments" anda meio emperrado.
Denise, vou resumir o que penso: todas as qualidades e defeitos são definidas no seu extremo. Não têm gradações. Você se diz hipócrita, "mas não o tempo todo". Entretanto, - nos momentos em que o é, como disse - duvido que o seja no seu grau maximno.
Ninguém é absolutamente sincero, absolutamente desprovido de inveja, absolutamente honesto, absolutamente amigo, absolutamente fiel ou absolutamente maus, e vai por aí.
E cada um se autodefine de acordo com o seu grau de autocrítica.
É só, Denise.
Abraços

Ricardo Rayol disse...

Denise, todos somos hipócritas, sem exceção. Dos politicamente corretos então nem se fala pois duvido que os que defendem alguma sasnices que vejo por aí se alguns deles se abraçariam de verdade com alguma causa. Benvinda de volta.

strix disse...

Ajude, por favor.
Sinto saudades e isso me faz triste.
Ou seria o (ao) contrário?
Sabes que é de mentirinha, mas o amor é caolho, qual o cio.
Strix.

Anônimo disse...

Tais aí?
Porque não desses resposta no comentário em que juntei os rangalhos dos teus dias de dias e dias?
Strix.
Hia quecendo: Uma bicoca em tu, (de leve) um chute nûs guaipecas, e não vá esquecer, uns abraço prás criança
(sem o s) e vê se não esquece dûs beijûs (lógico) prûs pimpolhos.
E eu? Satisfeito com tua atenção.
Agora sim, una bicoca de boa noite.
Só não sonhes comigo. Terás pesadelos.
Brincanagens do Strix,

Adelino disse...

Denise, tudo bem que o seu blogue se chame QUIETA EM MEU CANTO, mas você está quietinha demais, Denise!!!
Abraços

Denise Sollami disse...

verdade, Adelino, ando quieeeeeta... e tb meio sem inspiração. bjs