quarta-feira, novembro 14, 2007

sem filhos vs com filhos

Numas de suas deliciosas crônicas, o João Ximenes Braga gerou uma polêmica enorme sobre uma suposta rixa entre pessoas com filhos e sem filhos. Virou SF vs CF e vice e versa e foi de tal monta a polêmica que ensejou uma reportagem no Fantástico (o programa domingueiro da musiquinha que a muitos angustia). Isso rendeu ainda mais umas duas colunas daquelas suas quinzenais no Ela e até hoje me lembro da verve dos passantes em seu blog em defesa de uma categoria ou outra.
Claro que os SF tinham acabavam perdendo, embora tivessem mais humor e fina ironia. Difícil competir com quem seguiu o roteiro direitinho do Criador no que toca a “crescei e reproduzi-vos”. Parece que os SF, além de não reproduzirem, também não cresceram. Além do mais, tem algo de desnaturado em reclamar da falta de educação das crianças. Além de não terem tido a competência de gerar filhotes, os SF não se curvam à lei maior da natureza e, pecado dos pecados, não têm paciência com as criaturas diminutas. Mesmo que quebrem seus enfeites, sujem o sofá, falem demais e sejam invasivos.
E tem aquele papo de mãe, de maternidade, de razão da minha vida, o melhor dela etc. Não vou discutir. Estando na categoria SF, ainda que por muito tempo nela tenha estado contrariadamente, é de boa prudência ficar calada.
O que não me agrada é acharem que por ser uma SF tenho todo o tempo livre do mundo, além de, vez ou outra, ainda me deparar com insinuação sobre que eu deveria estar melhor de vida tendo menos despesas. Na ótica destes críticos, se cuido do jardim, dou banho no cachorro e faço henna no cabelo é porque sou uma SF. Se fosse uma CF, não me sobraria tempo para este do-it-yourself. Não ocorre a ninguém que poderia ir caçar borboletas ou jogar xadrez. Não admira, um CF é alguém torturado pela inglória luta contra o tempo – está num lugar pensando em outro e tudo isto neste momento da comunicação móvel, em que os telefones celulares são ditadores compulsivos. Aliás, devo confessar uma coisa: detesto aquele tom de voz tolo que se usa com os miúdos, em especial quando são galalaus que já olham de forma erotizada para as amigas das mamães deles. Já os SF dispõem da eternidade para seus não-afazeres.
Voltando, talvez eu devessa estar melhor de vida. Curioso, sempre ouvi dizer que os SF gastam mais porque se divertem mais. Sobrando-lhes este tempo livre tão invejado, é claro que lhes devia sobrar dinheiro. Não é esta, porém, a lógica de alguns dos CF. Estes acreditam piamente que dinheiro é algo que eles fazem jus, e que deveria, para eles, minar de algum lugar mágico, já que as despesas de seus rebentos se equivalem ao Triângulos das Bermudas. Enfim, até os CF não se entendem muito sobre o tempo e o dinheiro dos SF. E também não se justifica que um SF disponha de muito espaço para morar. Na visão de muitos CF, eu deveria estar instalada num catre.
Quanta ilusão. Quanto desconhecimento. E que saudade do blog do João.
Uma coisa, porém, é certa: às vezes observo pássaros.

Um comentário:

Adelino disse...

DENISE, não quero entrar no mérito do debate, até por que sou um HCF (Homem com filhos), e não fizemos parte do tema.
Só sei que as companhias de seguro de vida levam em ALTA consideração o número de filhos que o segurado tem. Quanto mais filhos, mais alto o prêmio de seguro. Passando a limpo: QUANTO MAIS FILHOS, MENOS TEMPO DE VIDA.
Então, como dizia a grande socióloga e cantora ARACY DE ALMEIDA, "Tamos conversados".
Beijos