segunda-feira, julho 20, 2009
na dúvida, a dúvida
fico com o vão
que há entre nós:
nada de explicação,
nada demais
aliás, ouso dizer-te:
é apenas paixão, rapaz
é loucura, algo que não se compraz
do medo
ou talvez seja diverso:
quem sabe a alforria
que perversamente nos aprisiona
em nós mesmos?
terça-feira, julho 14, 2009
allez, enfants!

sábado, julho 11, 2009
coffee break
sábado, julho 04, 2009
sonhos existem para serem realizados...
domingo, junho 21, 2009
tudo e mais um pouco
salsa, cebolhinha,
e também manjericão e coentro e sálvia
um atalho, uma via expressa
um viaduto, uma marginal
uma grande avenida central
você, meu tempero,
meu caminho e meu descaminho
o que tenho de mais certo e de mais errado.
Até aqui, sendo bem franca:
você é tudo pra mim
sábado, junho 20, 2009
let´s do it, let´s fall in love
But that’s why birds do it,
Bees do it,
Even educated fleas do it,
Let’s do it, let’s fall in love.
In Spain the best upper sets do it,
Lithuanians and Letts do it,
Let’s do it, let’s fall in love.
The Dutch in old Amsterdam do it,
Not to mention the Finns,
Folks in Siam do it,
Think of Siamese twins.
Some Argentines without means do it,
People say in Boston even beans do it,
Let’s do it, let’s fall in love.
Romantic sponges they say do it,
Oysters down in Oyster Bay do it,
Let’s do it, let’s fall in love.
Cold Cape Cod clams against their wish do it,
Even lazy jellyfish do it,
Let’s do it, let’s fall in love.
Electric eels, I might add, do it,
Though it shocks ‘em I know,
Why ask if shads do it,
Waiter bring me shad roe.
In Shallow shoals, English soles do it
Goldfish, in the privacy of bowls, do it
Let's do it, let's fall in love
The dragonflies in the reeds do it,
Sentimental centipedes do it,
Let’s do it, let’s fall in love.
Mosquitoes, heaven forbid, do it,
So does every katydid do it,
Let’s do it, let’s fall in love.
The most refined ladybugs do it,
When a gentleman calls,
Moths in your rugs do it,
What’s the use of moth balls?
Locusts in trees do it,
Bees do it,
Even overeducated flees do it,
Let’s do it, let’s fall in love.
Let’s do it, let’s fall in love,
Let’s do it, let’s fall in love
quarta-feira, junho 17, 2009
filha da puc e de um bric

Tinha certeza que ia gostar do filme, caí de amores já no triller. O roteiro é singelo, a história também, e as grandes vedetes, no fim das contas, são a juventude e a Puc. É muito bom ter um campus para se abrigar e singrar aqueles primeiros anos de juventude. Não é vida mole, mas é vida boa. Muita esperança, uns conflitos da idade, uns amores, uns amassos, muito chão pela frente junto com a percepção que é o começo do começo do começo. De uma certa forma me identifiquei com a personagem interpretada por Érika Mader - que no filme, curiosamente, não tem nome. É, apenas, uma menina de uns vinte anos, magrinha, de pernas compridas e finas, terminando o namoro sem nenhuma ruptura traumática. E hoje, curiosamente, os Bric bombando de novo no noticiário. Escrevi sobre a felicidade de ver o Brasil num grupo com importância no mundo há tempo atrás (o post deve estar aí embaixo) e não admira. Do mesmo modo como lá nos verdes anos me vislumbrei um porvir algo augurioso, sempre acreditei firmemente que ainda veria o meu país melhor de vida, melhor situado. Pois é, filha da Puc e de um Bric... Nada mau.
segunda-feira, junho 15, 2009
a yoga e o silêncio
domingo, junho 14, 2009
gostar, gostar e gostar?
sexta-feira, junho 12, 2009
ah, a paixão!

quinta-feira, junho 11, 2009
terça-feira, junho 09, 2009
saudade
uma saudade sentida por antecipação
que também é um destilar do gosto teu,
do gozo nosso
e é tudo o que podemos ter um do outro.
saudade é o amor se fazendo lembrar
domingo, junho 07, 2009
na crise, à direita

quarta-feira, junho 03, 2009
ele, o tempo
sábado, maio 16, 2009
bye, bye, outro blog!
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quarta-feira, abril 08, 2009
numa páscoa, as maritacas

Feliz páscoa!
foto capturada do google imagens
terça-feira, março 31, 2009
fruto proibido
queimem-se as almas do inferno
salvem-se as almas do purgatório
morda-se a língua,
instaure-se a crise,
explodam-se todos,
danem-se!
pouco se me dá
ao ver-te,
ganho o dia
terça-feira, fevereiro 24, 2009
Na Sapucaí
fotos do meu arquivo pessoal tiradas ontem na Sapucaí. A segunda é o momento antes de a primeira escola desfilar, o início da festa. A primeira sou eu, encantada e feliz.
sábado, janeiro 31, 2009
coincidência das coincidências
sábado, dezembro 20, 2008
meados de dezembro

segunda-feira, dezembro 01, 2008
primeiro de dezembro

sábado, novembro 29, 2008
o gato do cachorro
Singrei o Aterro do Flamengo hoje mais uma vez debaixo de chuva. Só pode ser essa insistência úmida a me melar o humor, a me deixar nessa zona grísea de indigestão espiritual. Mais uma vez acordo com o sol à espreita e vou me deitar sob um chuvisco insistente. Que saco! Essas coisas têm um efeito deletério sobre a gente. Por exemplo: nunca mais vi aquele deus grego, aquele que corre na pista do aterro com seu cachorro todo dia por volta das nove e quinze da manhã, um corpo esculpido em tudo e por tudo à semelhança do Criador. Que maravilha da natureza - e que natureza! Um impávido colosso. Pois desde que chove desse jeito a criatura sumiu. Ele e seu cachorro abandonaram o exercício matinal e deixaram minhas retinas viúvas daquela visão do paraíso. Pergunto aos quatro ventos: cadê o gato do cachorro? Cadê?quinta-feira, novembro 20, 2008
'sem compromisso, mas com responsa'
outro despudor, a dedicatória que me fez AB: "À Denise S, tradicional amiga de e'mails e blog, e também de uma chuvosa feijoada no Jobi de ótimas lembranças, com um beijo do Arnaldo"
quinta-feira, novembro 13, 2008
dias nublados virão

terça-feira, novembro 11, 2008
blind date


domingo, outubro 26, 2008
órfãos das diretas já


segunda-feira, setembro 01, 2008
Zeca e o Silêncio
sexta-feira, agosto 01, 2008
na virada do mês
O mês acaba, um novo começa, o mesmo assédio. O tempo voa, as semanas correm, os dias parecem arrastados.
A velocidade, o tempo, o descompasso.
Benfazeja a greve dos correios mês passado.
quinta-feira, junho 26, 2008
junho
os aeroportos fechados,
alguma chuva.
Me fez lembrar um livro que já li
um perfume que costumava usar,
algum lugar que nunca mais fui.
Como todo ano,
junho me trouxe uma nova primavera em pleno outono
e também teve cara de inverno
e fez dias quentes como no verão.
Este junho, porém, conteve a vida toda
o mundo todo
(você e eu)
e muitos instantes.
quarta-feira, abril 30, 2008
isso de olhar a lua
quarta-feira, março 12, 2008
bem, obrigada

pergunta assim, impunemente
vou bem, vou como sempre
singrando entre temerários
e uma ou outra histérica.
Agora ouço “samba da benção” sempre que dirijo
Ando vendo muito pouco os amigos
e sentindo uma estranha saudade de mim
de mim num tempo em que tinha tempo
sábado, março 08, 2008
Fala, Vovó!
quarta-feira, março 05, 2008
este céu de hoje
sábado, março 01, 2008
feliz aniversário, moça!
(foto do meu arquivo pessoal, o Cristo Redentor visto do Jardim Botânico)
quinta-feira, fevereiro 07, 2008
A Superterça, o Mardi Gras, Hillary Clinton e Erica Jong: Coincidências de 2008

segunda-feira, janeiro 28, 2008
Olivia e seu Montinho

Já estava, portanto, satisfeita pelo fim-de-semana, quando quis o destino que, no dia seguinte, num domingo, acabasse por assistir Olivia Byington no porão da Casa de Cultura Laura Alvim. Nunca vi um show tão original: além de cantar as canções do seu CD há pouco lançado, em que todas as melodias são de sua autoria, canta antigos sucessos (quem poderia se esquecer de "Lady Jane"?), desfia aquela sua linda, maviosa voz, e conversa, conta história, muita história.
É aí que entra o tal "montinho". Não vou ser estraga-prazer, porque é apenas uma pequena parte e muita coisa é dita em cena, mas vale para mostrar a delicadeza que permeia o show. É o seguinte: disse Olivia que, numa de suas conversas com o finado poeta Cacaso, de quem era amiga, ele comentou que no Brasil se tem o perverso costume de se "soprar montinho". Indagado sobre o que seria isso, ele lhe explicou que "montinho" é tudo o que se vai vivendo, vendo, ouvindo, sentindo e experimentando nessa vida e que, do nada, se chega e - puf! - assopra-se sobre ele. Verdade ou não, se é hábito ou não do brasileiro varrer da memória as lembranças, desfazer-se da própria bagagem assim do nada, não sei; porém, estou certa que assistir este show forma um pouco a sensibilidade da gente.
E é por isso que doravante esta performance de Olivia Byington em "a vida é perto" estará indelevelmente no meu próprio montinho.
sexta-feira, dezembro 14, 2007
para não dizer que sou tão episódica
quarta-feira, novembro 14, 2007
sem filhos vs com filhos
Claro que os SF tinham acabavam perdendo, embora tivessem mais humor e fina ironia. Difícil competir com quem seguiu o roteiro direitinho do Criador no que toca a “crescei e reproduzi-vos”. Parece que os SF, além de não reproduzirem, também não cresceram. Além do mais, tem algo de desnaturado em reclamar da falta de educação das crianças. Além de não terem tido a competência de gerar filhotes, os SF não se curvam à lei maior da natureza e, pecado dos pecados, não têm paciência com as criaturas diminutas. Mesmo que quebrem seus enfeites, sujem o sofá, falem demais e sejam invasivos.
E tem aquele papo de mãe, de maternidade, de razão da minha vida, o melhor dela etc. Não vou discutir. Estando na categoria SF, ainda que por muito tempo nela tenha estado contrariadamente, é de boa prudência ficar calada.
O que não me agrada é acharem que por ser uma SF tenho todo o tempo livre do mundo, além de, vez ou outra, ainda me deparar com insinuação sobre que eu deveria estar melhor de vida tendo menos despesas. Na ótica destes críticos, se cuido do jardim, dou banho no cachorro e faço henna no cabelo é porque sou uma SF. Se fosse uma CF, não me sobraria tempo para este do-it-yourself. Não ocorre a ninguém que poderia ir caçar borboletas ou jogar xadrez. Não admira, um CF é alguém torturado pela inglória luta contra o tempo – está num lugar pensando em outro e tudo isto neste momento da comunicação móvel, em que os telefones celulares são ditadores compulsivos. Aliás, devo confessar uma coisa: detesto aquele tom de voz tolo que se usa com os miúdos, em especial quando são galalaus que já olham de forma erotizada para as amigas das mamães deles. Já os SF dispõem da eternidade para seus não-afazeres.
Voltando, talvez eu devessa estar melhor de vida. Curioso, sempre ouvi dizer que os SF gastam mais porque se divertem mais. Sobrando-lhes este tempo livre tão invejado, é claro que lhes devia sobrar dinheiro. Não é esta, porém, a lógica de alguns dos CF. Estes acreditam piamente que dinheiro é algo que eles fazem jus, e que deveria, para eles, minar de algum lugar mágico, já que as despesas de seus rebentos se equivalem ao Triângulos das Bermudas. Enfim, até os CF não se entendem muito sobre o tempo e o dinheiro dos SF. E também não se justifica que um SF disponha de muito espaço para morar. Na visão de muitos CF, eu deveria estar instalada num catre.
Quanta ilusão. Quanto desconhecimento. E que saudade do blog do João.
Uma coisa, porém, é certa: às vezes observo pássaros.
segunda-feira, novembro 05, 2007
sexta-feira, outubro 26, 2007
dois sucessos e um fiasco
quarta-feira, outubro 17, 2007
o efeito-chimpanzé

Em nada me admirou saber que 98% de minha informação genética coincidem com a de um chimpanzé. Ora, se coincidem em 80% com a de um porco, nada mais justo. Fico divagando em quanto será a coincidência com uma vaca, visto sentir-me assim amiúde uma vez por mês. Parece que não importa, somos todos mamíferos e a minha experiência com cães já demonstrou que há um denominador comum em termos de mazelas dos seres viventes sobre a Terra. O meu cão, por exemplo, é epilético, cardiopata e recentemente ficou diabético por causa da idade (tem doze anos), o que o levou à catarata, da qual se operou de uma vista e voltou a enxergar. Como nos humanos, uma coisa puxa a outra. Depois me ocorreu essa história de Mônica Veloso, a jornalista que se deitou com Renan Calheiros (tem gosto para tudo) e que, deste leito, gerou uma filha. Pensei furiosamente no efeito-chimpanzé e nos descobri sendo todos reféns deste determinismo genético. Não é um conceito difícil de apreender. As mães ensinam as filhas; os pais, os filhos; as amigas e colegas da escola, umas as outras; os professores aos alunos e etc. Não há criança que queira ser diferente da outra; antes, se querem rigorosamente iguais, em tudo e por tudo, o que uma tem a outra vai querer também. Isso é idêntico no comportamento mais sutil, o que revela que uma atitude é mais do que fruto do “compre isso, consuma aquilo”. Este efeito-chimpanzé explica até o fenômeno da moda e como é fácil aos marqueteiros ganharem a vida. Não é complicado induzir alguém a se comportar como outrem, basta o simples argumento de que alguém já se comportou de tal maneira antes. Nestas sutilezas sobre a moda, aliás, observei que há modismos a grassar em ambientes mais recolhidos, em sub-grupos. Já vi no foro, num dia de chuva, umas duas dúzias de pares de botas parecidíssimas calçadas por advogadas e estagiárias, o que diferia um pouco em termos de estatística com o resto da cidade – botas não eram o último grito naquele outono, mas parecia que ali, naquele reduto, o eram. Ah, sim, a peladona do momento e o efeito-chimpanzé. Deve o desnudar-se de uma jornalista algo valorosa ter sido por ele causado. Virou moda, qualquer pessoa que tenha ganho notoriedade, não importa o porquê, interessa a este específico segmento do mercado editorial, há uma imensa curiosidade em ver nua a mulher-potin do momento. Não me surpreende, um amigo muito sábio e já bem veterano nesta vida uma vez me disse, embalado pela sabedoria que duas doses de destilado lhe conferem, que “tarado é alguém normal pego em flagrante”. Vai ver que sequer de sua autoria é a frase, mas que é sábia, lá isso é. Enfim, é tão-somente uma macaquice capturada pelo mercado. Dizer assim seria um reducionismo impróprio? É possível. Porém, é redentor. Qualquer coisa idiota que um dia venha a fazer, estarei sob o manto do efeito-chimpanzé, do qual dificilmente algum mortal escapa. Mas que não me entendam mal: certamente não interessaria às revistas masculinas nua. Se bem que para este “específico segmento editorial” até que eu poderia escrever umas historinhas interessantes...
terça-feira, outubro 02, 2007
Piaf, Única e comum

O roteiro, também de Dahan, gira em torno de três eixos, Piaf criança e em início de carreira, Piaf no auge de sua fama e forma, e Piaf alquebrada pela doença, um pouco antes de sua prematura morte aos 46 anos de vida. Estes três eixos se intercomunicam ao longo do filme inteiro e faz ver como cada condição, cada fase da vida, informa a outra. Em nenhum momento a história se perde; ao contrário, cada vez ganha mais sentido a personagem. É um senhor roteiro.
A atriz que faz a retratada não poderia estar melhor. Nunca ouvira falar em Marion Cotillard, nunca mais a esquecerei. O mis-en-corps, a voz, a expressão vocal, tudo remete à Piaf, à sua essência. Marion Cotillard é uma intérprete rara.
E Piaf dispensa qualquer comentário - morta há mais de quarenta anos, não há quem desconheça sua versão de “La vie en rose” e “Je ne regrette rien”, não há quem não identifique imediatamente sua voz ao primeiro timbre. E, no entanto, era apenas uma mulher como qualquer outra, que apenas queria amar e ser amada.
sexta-feira, setembro 14, 2007
de volta ao batente
É verdade, eu perdi um amigo.
É algo imensamente triste perder algum afeto, seja em convivência, seja em confiança, seja em bem-querer. Não ver mais, não mais saber, não ouvir falar, não ter sua voz, sua presença. Não importa o motivo, e mesmo que seja um alívio, é triste perder um amigo.
Eu perdi um amigo virtual, alguém que nunca vi. Perdi por uma razão tola, por ciúme de sua mulher que cismou que flertávamos um com o outro. Isso nunca aconteceu e não sei exatamente o que pode tê-la levado a esta idéia. O fato é que, tal qual paranoicos que passam a vida a urdir contra si teorias conspiratórias, agarrou-se furiosamente a esta ideia a ponto de me mandar mensagens desaforadas. Eu não me desaforei, aquilo nem de leve me atingiu, salvo pelo fato de ter ficado impossibilitada de ter por aqui a presença de meu amigo virtual.
Mas passou. E estou de volta.
quinta-feira, agosto 02, 2007
o dia em que fiz uma entrevista
A entrevistada é minha amiga Ana Luiza, de quem já falei abaixo, e ficou bem divertida.
sexta-feira, julho 06, 2007
quinta-feira, julho 05, 2007
queixa
Mas cá estou a teclar, diante deste monitor que parece ser meu irmão siamês – às vezes sinto falta dele e digo que parece que fomos separados no berço.
Enfim, estou contrariada, será mais uma edição a passar. Podia até ficar lá na Joana. Fazer o quê? Ganhar a vida. Mas mês que vem vou dar uma escapadinha, se Deus quiser. E com as bênçãos de Maria, minha mãe.
segunda-feira, julho 02, 2007
quinta-feira, junho 28, 2007
o dia em que dei uma entrevista
quarta-feira, junho 27, 2007
famiglia
É que ele não conhece a família da Maria.
Outro dia a avó, à mesa, fez um muxoxo e, enquanto mastigava, tirou uma coisa da boca; discretamente, a colocou ao lado do prato. Perguntada sobre o que era, disse: “meu molar, o último que me restava, vou fazer uma simpatia”. Continuou comendo como se nada se passasse. Não tem nem um dente na boca, mastiga com as gengivas.
O curioso é que, se nesta família são estóicos para si, são sensíveis para os outros, de uma delicadeza de sentimentos raramente vista. Acontece de eu estar aborrecida e só assim me perceber através dos olhos da Maria. Nem percebo que estou contrariada, mas ela percebe. Muitas vezes é ela quem me comunica o que sinto.
Enfim, o fato é que a mãe da Maria, diagnosticada ontem, foi operada hoje pela manhã e está ótima, diz não sentir nada (não admira). Deve ir para casa amanhã, no máximo depois de amanhã. A Maria viu a pedra e me disse que era realmente enorme. Faço idéia.
Aposto um bombom como no sábado a mãe da Maria estará de pé na cozinha, fazendo o almoço da famiglia, dizendo “não foi nada, minha filha, era só uma pedrinha...”.
quarta-feira, junho 20, 2007
mas e o que vc respondeu?
Agora eu me pergunto, pergunto eu a mim mesma – escrever por quê?
Para dialogar comigo mesma, para preencher este espaço que existe entre aquilo que percebo e o que intuo; escrevo, o pouco que escrevo, para conversar com meu inconsciente estando bem acordada, diferente de quando durmo e sonho, talvez palavras sejam feitas de uma matéria quase onírica; escrevo porque me reinvento e me exponho, porque ouso, porque nunca sinto medo quando escrevo. Escrevo para o ar, para quem conheço e para quem não conheço, para conversar com quem nunca encontrei, mas com quem, ainda assim, acabo por ter um encontro.
Escrevo porque fiz uma pergunta e pessoas que nunca vi me responderam.
segunda-feira, junho 18, 2007
por que escrever?
Mas e o que se sabe nesta vida?
sexta-feira, junho 01, 2007
segunda-feira, maio 21, 2007
about us
As a matter of fact, I did loved you
but you just took me for granted,
made a terrible mistake
(a sort of misunderstood)
gave up the two of us
just like that…
I have to tell you again
you would have loved me
you could have permitted yourself a little bit of crazyness
but instead
you just gave up
turned the page so easily
and left me so helpless
- so helpless -
I’m still lost, babe
quinta-feira, maio 10, 2007
sobre a saudade
Tenho saudade de tudo, todos e de coisas bizarras, coisas que, em geral, não são propriamente objeto da saudade de ninguém.
Saudade da faculdade, de ter estudado na PUC no tempo da ditadura. Saudade dos pilotis, do intervalo nos pilotis. Saudade de fazer ginástica num tempo em que ninguém fazia e tinha meia dúzia de dois ou três gatos pingados em sala. Saudade do meu primeiro emprego, aquela exploração. Saudade da amiga que me traiu antes da traição, de ovo frito com feijão que nunca mais comi, daquela vegetação rasteira que havia na areia da praia de Ipanema que fazia cócegas na sola do pé. De uns chinelinhos de couro malcheirosos que se usava quando eu era adolescente. De ser adolescente, claro, este deve ser o ponto g da minha saudade. De não viajar a trabalho, de escrever a mão, de ir a cinema na orla (Rian e Miramar). Pode ser manjado, mas tenho saudade. De ficar espantada com peça de teatro, tanto quanto fiquei com “Trate-me Leão”, e de ler Clarice Lispector e Lillian Hellman pela primeira vez. De falar horas ao telefone com o namorado.
É assim: passou, tenho saudade.
Dizem que se sente saudade do que ainda existe mas que está longe, e nostalgia do que não existe mais. Não sei.
Sei que sinto.
domingo, maio 06, 2007
Dommage... (ou Vive la France!)

Agora, porém, não foi necessário: o povo acorreu maciçamente às urnas e, embora alguns veículos da mídia francesa falem em vitória acachapante de Sarkozy, o próprio iniciou seu discurso, logo após declarado vencedor, com loas à sua adversária e àqueles que nela votaram. Ele, que não é bobo nem nada, sabe que democracia não é ditadura da maioria, e sabe também que não são desprezíveis, em número ou qualidade, os votos angariados por sua adversária.
Acho realmente uma pena que a candidata dos socialistas não tenha ganho, uma pena que os socialistas não tenham conseguido sair do imobilismo em que imergiram diante das novas necessidades da sociedade francesa, ou que não tenham sabido comunicar a alternativa que acreditaram, à última hora, possível.
Uma pena.
Não, contudo, ver a sociedade francesa novamente mobilizada, os ideais e valores da república agitados com tanto fervor, o amor que nessas horas é declarado à França por seus compatriotas. É interessante ver um jornalista iniciar uma entrevista com o presidente da república por “boa noite, fulano de tal”, dispensando tratamentos formais, ou de que valeria o conceiro republicano de igualdade?
E é emocionante ver o discurso da candidata derrotada, com uma cara nada derrotada, aos seus militantes, terminar em “vive la France”, tal qual termina o discurso do candidato vencedor; o hino francês, ao fundo, cantado a capela pelos militantes.
Só me resta fazer coro: "vive la France!".



